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Relacionamentos

- por Paulo Jacobina


Vamos falar um pouco sobre relacionamentos. E, para ficar mais fácil de compreender o que eu quero abordar, iniciaremos com, talvez, o mais almejado dos relacionamentos, o amoroso.


Para começar a nossa conversa, eu te pergunto: qual é a coisa mais importante em um relacionamento?


Amor, responde a maioria, tomada por impulso. Porém, devo dizer que ele não é a resposta certa para a nossa pergunta.


Entranho, não? Como pode o amor não ser a coisa mais importante em um relacionamento amoroso? Todos falam de amor. Todos almejam o amor. Como então ele pode não ser a coisa mais importante?


Bem, devo dizer que ele também não é a segunda, nem a terceira, ficando apenas com a quarta posição na nossa lista de importâncias.


Você deve estar espantado e se perguntando "se ele não é a coisa mais importante, o que é? E mais, quais são as outras coisas que conseguem ser mais importantes do que o amor em um relacionamento?


A coisa mais importante para um relacionamento é um tanto óbvia, mas acaba escapando da maioria por ter o seu verdadeiro significado esquecido. O respeito.


O respeito é, de longe, a coisa mais importante em um relacionamento.


Claro, você pode pensar: não podemos ofender o outro, não traí-lo etc, mas como isso pode ser mais importante do que o amor?


Simples, o respeito não é apenas não trair, não xingar, não mentir, mas é, acima de tudo, compreender que o outro é um ser diferente de nós. Entender que o outro possui gostos, desejos, vontades, pensamentos e atitudes distintas das nossas.


E mais do que isso, é aceitar essa diferença. Aceitar é não querer impor a nossa vontade, o nosso jeito de pensar, a nossa forma de agir. Não querer transformar o outro em uma versão de nós mesmos.


Não somos perfeitos. Pelo contrário, estamos muito longe da perfeição; e seria, no mínimo, arrogância da nossa parte querer que os outros sejam iguais a nós.


Por isso, devemos aceitar a diferença que existe entre as pessoas. Aceitar que aquela pessoa, com a qual estamos nos relacionando, é um indivíduo diferente da gente.


Ao fazermos isso, além de respeitar o livre arbítrio do outro, passamos a compreendê-lo melhor e diminuímos os conflitos existentes.


Ah, mas você pode dizer que não é obrigado a aceitar os defeitos do outro. Que eles o incomodam e que você gostaria que o outro mudasse.


Isso é verdade. Mas também é verdade que você não precisa ficar com o outro. Ninguém colocou uma arma na sua cabeça e disse: fique com ele. E mesmo se tivessem colocado, você ainda tem uma escolha a fazer. Talvez você não goste dela, mas, mesmo assim, a opção ainda existe, pois, sempre temos escolha.


Além disso, coloque-se no lugar do outro. Quantos defeitos, quantas manias, tiques, trejeitos você tem e que podem incomodá-lo?


Apenas um? Dois? Três? Duvido que você realmente saiba quantos, mas uma coisa é certa, são muitos. E, sendo muitos, você gostaria que alguém ficasse dia e noite ao seu lado reclamando de como você age, de como você aperta o tubo da pasta de dente, da forma com que você mastiga, das roupas que você veste, da música que você ouve, de como você ri?


Acho que não, né? Você diria para o outro: você tem de me respeitar! Eu sou assim e, quando a gente se conheceu, eu já era assim.


Pois é... Respeito. Ele sim é a coisa mais importante em um relacionamento.


Agora faça um exercício. Pense no seu relacionamento atual, ou em seu último relacionamento, ou em qualquer relacionamento que você já teve. Pensou? Muito bem, agora pense em quantas brigas, quantas discussões, quantos momentos de raiva você passou pelo simples fato de não respeitar o outro.


Não pense nas situações causadas pela falta de respeito do outro, isso é problema dele, não seu. Pense apenas nas geradas por você. Mas seja sincero e pense bem. Pense com calma e responda: foram poucas?


Dificilmente, não?


Agora me diga: o relacionamento seria melhor ou pior se você tivesse respeitado o outro?


Bem melhor. Com menos conflitos, com menos brigas, com mais sintonia entre vocês.


Uma coisa que é preciso esclarecer é que respeitar o outro não é se incomodar com as diferenças e guardar para si para não brigar. Respeitar o outro é, simplesmente, não se incomodar com as diferenças.


Conseguiu ver a real importância do respeito em um relacionamento amoroso?


Ótimo. Agora vamos para a segunda coisa mais importante, ou melhor, para a segunda e a terceira coisas mais importantes.


Digo isso, pois elas quase que se igualam, apenas nos deixando duas certezas. A primeira, é que elas são menos importantes do que o respeito; e a segunda, é que elas são mais importantes do que o amor.


Então, vamos à segunda coisa mais importante em um relacionamento amoroso, a cumplicidade.


Não, cumplicidade não é ajudar o outro a cometer um crime ou algo assim. A cumplicidade é estar lá para o outro quando ele precisar.


É ouvi-lo, quando ele precisar desabafar. É consolá-lo em seus momentos de derrota e apoiá-lo em seus momentos de vitória.


Cumplicidade é incentivar os sonhos do outro. É apoiar. É estar disponível para quando o outro precisar. Cumplicidade é auxiliá-lo em seus anseios.


Logo após a cumplicidade vem o companheirismo, isto é, a arte de dividir as coisas. Dividir os planos, os sonhos.


Não dividir no sentido de separar, mas no sentido de fazer junto, de compartilhar de algo que seja em prol dos dois.


Companheirismo é quando os dois buscam as mesmas coisas para ambos. Quando os sonhos de um, para existir, não precisa eliminar o do outro. Quando os dois se complementam, gerando um novo ser conhecido como relacionamento.


E, por fim, nessa lista, está o amor.


Não que um relacionamento só precise ter essas quatro coisas. Longe disso. Quanto mais coisas boas, melhor. Mas aqui só estamos falando das quatro coisas mais importantes em um relacionamento amoroso. E, em quarto, está o amor.


Falar de amor é algo longo e requer algumas mudanças de conceitos. Torna-se necessário rever coisas que aprendemos como certas, mas que, na verdade, são erradas.


Amor não é uma coisa arrebatadora que te tira dos eixos. Amor, por ser um sentimento, é algo sutil. É algo que abrilhanta e aquece uma relação.


É aquilo que recobre as outras coisas concedendo à relação o seu aspecto doce.


Note que o amor tem de vir em quarto lugar, pois ele, por ser sutil, deve revestir as outras coisas. Enquanto o respeito, a cumplicidade e o companheirismo são condutas morais, isto é, são coisas sólidas sobre as quais algo pode ser construído, o amor é algo tenro, que dá cor ao relacionamento que está sendo, dia a dia, construído.


Não podemos pautar um relacionamento apenas no amor, pois ele é frágil e não é capaz de sustentar uma relação.


É claro que muitos relacionamentos parecem existir apenas baseados no amor. Porém, se você olhar bem, verá que aquilo não é um relacionamento, sendo apenas um vínculo, algo que aprisiona as pessoas envolvidas.


Um relacionamento é algo que liberta, pois é construído com base no respeito, na cumplicidade, no companheirismo e é coberto com amor.


Com base nessas quatro coisas, imagine duas pessoas que colocam isso em prática. Agora reflita sobre como seria um relacionamento entre essas duas pessoas.


Gostou do que você conseguiu ver? Então por que não coloca isso em prática? Faça a sua parte e, quem sabe, o outro também não faz a dele.


Agora que sabemos as quatro coisas mais importantes para um relacionamento amoroso, podemos fazer um último exercício mental?


Vamos agora transmutar o amor. Vamos trocar o "amor de casal" para "amor de amigo" ou para "amor de familiar" ou, mais ainda, para "amor por ser humano", você escolhe.


Transmutou?


Então, você conseguiu ver que a base de todos os relacionamentos que você tem na sua existência é a mesma. Primeiro você coloca o respeito, depois a cumplicidade. Então, você cobre com companheirismo e, por fim, polvilha com amor.


Todos os relacionamentos seguem o mesmo princípio, o que muda são pequenos detalhes que os tornam únicos, mas a base sobre a qual são construídos é sempre a mesma.


Tenha bons relacionamentos, ou melhor, tenha relacionamentos, pois não existem relacionamentos ruins. Relacionamento é bom por definição, por conceito. Relacionamento bom é redundância.




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